Visão
Borboletas coloridas faziam festa no jardim deixando tudo mais atraente perto da fonte, um anjo corroído pelo ação do vento e da chuva cansado da mesma posição exibia sua expressão séria mas que também demostrava tédio. Lírios, tulipas e jasmins enchiam o enorme terreno de cheiros, fazendo um labirinto de cores, arbustos, árvores e grama terminavam o modelo italiano de jardim. Rodeada de cercas que um dia foram brancas levanta-se um enorme casarão rodeado de varandas, possuía dezoito janelas e apenas uma porta visível, grande e imponente pesava no minimo cinquenta quilos, esculpida em madeira de carvalho exibia detalhes que só se podia perceber quando se olhava com muita atenção, fazia o mesmo chiado fino e estrondoso que se escuta em filmes. Após entrar estende-se a frente um largo corredor, virando a esquerda dez passos a frente junto a parede da sala estendia-se um quadro de quase um metro de altura da família. O grande salão que a anos atras esteve cheio de damas e cavaleiros que beberam além da conta, riam e conversavam aos gritos agora estava vazio, triste e empoeirado. No canto a direita um pano cobria o enorme piano de calda negro, ainda escutava os acordes, a melodia doce que me fazia flutuar. Tamborilei meus dedos sobre o teclado e deixei o som encher o ambiente, cada nota fazia reviver uma memória ali presente. A escadaria levava aos quartos e a varanda rodeada de flores, margaridas para ser mais exata, a visão dali deixaria qualquer ser vivo perplexo e extasiado, ao longe poderia ver-se a cachoeira e até ouvir seu ruído, a mata ciliar fechada a seu redor, e a água límpida, translúcida que formava um lago cristalino setenta metros abaixo. Mais ao longe montanhas, serras e morros faziam da paisagem algo quase surreal ao entardecer no crepúsculo de cores quentes. A casa não produzia som algum. Como poderia ter existido vida, convívio naquele lugar, sendo que agora tudo é tão inanimado sem brilho ou cores. Objetos só tem sentido quando colocamos neles, o que realmente contar é o que significam para nós, sós eles não representam nada, são apenas objetos.
Déborah Tavares
6/15/12 @ 10:05 PM
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